
O antigo e o novo
A cafeicultura é um dos pilares econômicos de muitas regiões do Brasil, e em Taquaritinga do Norte, no agreste pernambucano, não é diferente. No entanto, para manter a atividade sustentável e competitiva, é preciso estar atento a um fator crucial: a escolha das variedades de café cultivadas. Por cá, a variedade Typica, tradicional e apreciada por seu sabor, ainda domina as lavouras, mas enfrenta desafios que limitam sua produtividade e rentabilidade.
A Typica, apesar de ser uma variedade histórica e valorizada, tem suas desvantagens. Ela é mais suscetível a pragas, doenças e ao fenômeno conhecido como “seca de ponteiro”, que deixa as pontas dos ramos ressecadas e reduz a produção, ocorrendo mesmo em curtos períodos de estiagem. Além disso, seu rendimento por hectare é baixo, muito aquém das variedades disponíveis atualmente.
Enquanto a Typica enfrenta dificuldades, variedades como Arara, Acauã Novo e Geysha têm se destacado no nosso pequeno sítio, apresentando boa resistência e alto potencial produtivo. Essas variedades modernas foram desenvolvidas para suportar condições adversas, como exposição solar intensa e estresse hídrico, e ainda assim manter as plantas saudáveis e cheias de frutos. Enquanto a Typica sofre com a seca de ponteiro, essas variedades seguem firmes, mostrando que a substituição pode ser a solução para melhoria do rendimento e manutenção da qualidade do café.

Um dos pontos que me gerou dúvidas no processo de substituição de variedades, especialmente em condições de bosque com grande sombreamento (como é o caso da nossa propriedade), é o espaçamento entre as plantas. A Typica, por exemplo, tradicionalmente é cultivada com espaçamentos maiores (como 3,5m x 2,5m), pois precisa de mais luz e espaço para se desenvolver. Isso é especialmente importante em áreas com sombreamento, onde a competição por luz é maior.
Já as variedades Arara e Acauã Novo, foram desenvolvidas para tolerar maior exposição ao sol e podem ser cultivadas com espaçamentos menores (como 2,5m x 1m). Esse adensamento traz vantagens como:
– Melhor aproveitamento do espaço: Mais plantas por hectare significam maior produtividade.
– Facilidade de manejo: Colheita e aplicação de defensivos (orgânicos no nosso caso) tornam-se mais eficientes.
– Menor sombreamento: Como essas variedades suportam mais sol, o espaçamento próximo não as prejudica, desde que cultivadas a pleno sol (o que não é o nosso caso).
No entanto, no nosso caso, onde o cultivo é feito sob a copa das árvores, com grande sombreamento, o espaçamento maior acaba sendo a melhor opção. Em conversa com o Jorge (que me ajuda na lida diária) chegamos à conclusão de que, nas nossas condições, o espaçamento maior (embora não tão amplo quanto o tradicional) é o mais recomendado. Isso permite que as plantas tenham maior disponibilidade de luz, mesmo com o sombreamento, e se desenvolvam adequadamente. Porém, como as variedades são tolerantes e produtivas na exposição a luz solar, um fator extremamente necessário é a poda da copa das árvores, no momento certo para permitir a exposição solar, bem como, permita a proteção das plantas nos momentos mais quentes do ano.
A adoção de variedades mais produtivas e a escolha do espaçamento ideal são passos importantes para aumentar a produtividade e a rentabilidade na pequena propriedade. No entanto, como mostrou nossa experiência, é essencial adaptar essas práticas às condições locais. No nosso caso, o cultivo em bosque exige um equilíbrio entre o uso de variedades mais produtivas e o respeito ao espaçamento que garanta a disponibilidade de luz para as plantas.
Com o tempo, a modernização das lavouras, aliada a um manejo bem planejado, pode e deve transformar a realidade em Taquaritinga do Norte, capital do café de Pernambuco.

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