Como agrônomo e produtor de café, tenho vivido na prática os desafios e as recompensas de transformar grãos em experiências sensoriais únicas. A produção de cafés especiais não é apenas um trabalho técnico; é uma jornada que começa no campo e se conecta diretamente com o consumidor final. Nesse cenário, o papel do agrônomo vai muito além da análise de solo ou do manejo de pragas – é uma atuação estratégica que une ciência, tradição e inovação.
A Presença do Agrônomo: Do Terroir ao Sabor
No Biu do Céu, cada decisão que tomamos no campo tem um impacto direto no que o consumidor encontra na xícara. Como agrônomo, meu compromisso é entender o terroir, identificar as melhores variedades para nosso café sombreado e adotar práticas sustentáveis que valorizem a biodiversidade e a preservação ambiental.
A atuação do Agrônomo vai do acompanhar o processo de colheita, selecionar os grãos no ponto ideal de maturação e decidir os métodos de pós-colheita, são etapas que requerem um olhar técnico e detalhista. Cada uma dessas escolhas influencia diretamente o perfil sensorial do café e o posicionamento do produto no mercado.
Outros Profissionais e o Mercado de Cafés Especiais
No setor de cafés especiais, tenho percebido a presença crescente de outros profissionais ocupando espaços importantes na cadeia produtiva. Baristas e sommeliers, por exemplo, trazem conhecimentos valiosos sobre análise sensorial e ajudam a alinhar as práticas no campo às expectativas do consumidor. Especialistas em marketing e branding também desempenham um papel fundamental ao contar histórias que conectam o café ao público, algo que valorizamos muito no Biu do Céu tendo por apoio a Jogada Criativa.
Essas colaborações são enriquecedoras, mas também trazem desafios. Muitos produtores, por vezes, acabam buscando orientação fora do campo técnico, subestimando a importância de um agrônomo para garantir qualidade desde a origem. Isso reforça a necessidade de nós, agrônomos, ampliarmos nossa atuação, nos envolvendo mais profundamente em todas as etapas do processo, da lavoura à comercialização.
Uma Jornada Pessoal de Conexão e Qualidade
O Biu do Céu nasceu de um sonho: produzir um café que honrasse a história e a biodiversidade de Taquaritinga do Norte. Como agrônomo e produtor, entendo que o café especial não é apenas sobre qualidade sensorial; é sobre contar uma história, criar uma conexão e valorizar o que há de único no campo.
Por isso, nossa missão não é apenas cuidar da terra, mas também colaborar com outros profissionais para garantir que cada xícara de café entregue ao consumidor traga consigo o sabor do cuidado, do conhecimento técnico e da paixão pelo que fazemos.
Um Convite para Valorizarmos o Agrônomo
Ao refletir sobre o mercado de cafés especiais, percebo que o agrônomo tem um papel insubstituível. Somos os guardiões da qualidade na origem, o elo entre o campo e o consumidor. No entanto, para ocuparmos nosso espaço de forma plena, é essencial nos adaptarmos às novas demandas do setor, integrando ciência, inovação e comunicação.
Então, vamos estudar e estudar, cada vez mais!

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