A produção de café em sistemas agroflorestais no município de Taquaritinga do Norte, localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) Serras e Brejos do Capibaribe, em Pernambuco, destaca-se como uma prática sustentável que alia conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico. Contudo, a agricultura familiar da região enfrentam desafios significativos no acesso ao crédito rural, fator essencial para viabilizar investimentos em tecnologias e melhorias produtivas.
Embora o cultivo de café em sistemas agroflorestais seja reconhecido como uma atividade de baixo impacto ambiental e alinhada aos objetivos de preservação da APA, a burocracia na liberação de autorizações ambientais se torna uma barreira. A legislação, em muitos casos, dispensa o licenciamento ambiental formal para práticas agroecológicas e de baixo impacto, mas, na prática, o processo para liberação de uma Consulta Prévia é extremamente moroso pelo órgão ambiental estadual. Essa lentidão dos processos por parte dos órgãos fiscalizadores gera atrasos na documentação necessária para acessar linhas de crédito específicas.
Agricultores e agricultoras familiares de Taquaritinga do Norte, que cultivam café sob sombreamento de árvores nativas e frutíferas em sistemas agroflorestais, têm um grande potencial de contribuição para a preservação ambiental da APA. No entanto, sem acesso a recursos financeiros, encontram dificuldades para investir em práticas sustentáveis, como a implantação de novos plantios, a aquisição de equipamentos para beneficiamento e torra, e a adoção de tecnologias que ampliem a produtividade com menor impacto ambiental.
Além disso, instituições financeiras frequentemente exigem documentos que comprovem a conformidade ambiental da propriedade, mesmo quando não há exigência formal de licenciamento. Essa incongruência entre a legislação ambiental e as exigências práticas cria um cenário de insegurança para os produtores e produtoras de café na região, que ficam dependentes da lentidão dos órgãos ambientais e, muitas vezes, desassistidos por políticas públicas de apoio técnico e jurídico.
Outro ponto crítico é a carência de assistência técnica especializada para os agricultores e agricultoras familiares de Taquaritinga do Norte, o que dificulta a elaboração de projetos que atendam às exigências dos financiamentos. Sem o apoio adequado, os produtores e produtoras não conseguem se beneficiar de políticas de crédito rural voltadas para a agricultura familiar sustentável.
Como consequência, a falta de acesso ao crédito limita a expansão e o fortalecimento da produção de café em sistemas agroflorestais, uma atividade que poderia ser modelo de sustentabilidade e geração de renda para a região da APA Serras e Brejos do Capibaribe. Diante disso, é necessário promover ações coordenadas entre instituições financeiras, órgãos ambientais e entidades de assistência técnica para:
- Simplificar os processos de liberação de crédito para práticas agroflorestais em APAs;
- Desburocratizar a exigência de documentação ambiental em áreas de baixo impacto produtivo;
- Fortalecer a assistência técnica e extensão rural com foco na elaboração de projetos viáveis;
- Fomentar o acesso a linhas de crédito específicas para sistemas agroflorestais, reconhecendo sua importância para o equilíbrio ambiental e a segurança econômica da agricultura familiar.
Com essas iniciativas, agricultores e agricultoras de Taquaritinga do Norte poderão consolidar a produção de café em sistemas agroflorestais, garantindo a preservação da APA Serras e Brejos do Capibaribe e fortalecendo a tradição cafeeira da região de forma sustentável e economicamente viável.


Deixe um comentário